Tendências de Design

Da Recordação de Viagem ao Objeto de Design: Como os Produtos Portugueses Estão a Mudar

Contemporary Portuguese design accessory integrated into an elegant everyday home setting

Durante gerações, trazer uma recordação de viagem para casa fez parte da experiência de viajar.

Um pequeno objeto, um símbolo familiar, uma lembrança de um lugar visitado.

Mas a forma como as pessoas escolhem as suas recordações está a mudar.

Hoje, os viajantes procuram muitas vezes algo mais do que uma lembrança decorativa da viagem. Querem produtos autênticos, com um bom design e ligados ao lugar que visitaram, mas que também possam integrar o seu dia a dia.

Esta mudança está a criar novas oportunidades para os produtos portugueses.

Em vez de ver a recordação de viagem apenas como algo que representa Portugal, uma nova geração de produtos está a transformar a identidade portuguesa em design contemporâneo.

A recordação de viagem está a evoluir

As recordações tradicionais têm um papel importante no turismo.

Preservam memórias, representam destinos e permitem aos visitantes levar consigo algo tangível. Dos postais e ímanes aos objetos decorativos, as recordações fazem há muito parte da experiência de compra associada ao turismo.

Mas os viajantes de hoje têm acesso a uma oferta mais vasta do que nunca.

Podem descobrir marcas locais antes de chegar ao destino, comparar produtos online e pesquisar a história por detrás daquilo que compram.

Consequentemente, as expectativas estão a mudar.

Uma recordação pode continuar a ser decorativa, mas também pode ser funcional, contemporânea e cuidadosamente concebida.

A questão já não é apenas:

«Isto faz-me lembrar Portugal?»

Pode também ser:

«Escolheria este produto mesmo que não o tivesse comprado durante uma viagem?»

Esta é uma diferença importante.

Dos símbolos às histórias

Portugal não tem falta de símbolos reconhecidos.

Os azulejos, as sardinhas, a guitarra portuguesa, a cerâmica tradicional, a cortiça e muitos outros elementos estão fortemente associados à cultura portuguesa.

Estes símbolos podem ser excelentes pontos de partida para o design de produtos.

No entanto, os produtos portugueses contemporâneos não precisam necessariamente de os reproduzir de forma literal.

Em vez disso, os designers podem inspirar-se nos materiais, nas tradições, nas cores, na arquitetura e nas paisagens portuguesas, reinterpretando-os de novas formas.

O resultado pode transmitir uma ligação a Portugal sem parecer uma recordação convencional.

Desta forma, surgem produtos que contam uma história de forma mais subtil.

Um material pode evocar um lugar.

Uma técnica pode transmitir o saber-fazer artesanal.

Um detalhe de design pode remeter para uma tradição.

E essa ligação nem sempre tem de ser evidente à primeira vista.

O design faz a diferença

Uma das mudanças mais importantes no comércio moderno de recordações de viagem é a crescente importância do design.

Os viajantes estão cada vez mais familiarizados com padrões internacionais de design. Encontram produtos cuidadosamente concebidos em museus, aeroportos, concept stores, boutiques independentes e plataformas online de todo o mundo.

Isto eleva as expectativas em relação às lojas e aos produtos destinados aos turistas.

Um produto português precisa de ser mais do que um objeto com um símbolo nacional.

Precisa de ser desejável enquanto produto.

Um bom design pode fazer toda a diferença.

Pode transformar um material tradicional num acessório contemporâneo, converter uma referência cultural num objeto funcional ou reinterpretar algo familiar de uma forma completamente nova.

A ligação a Portugal passa a fazer parte do produto, em vez de ser a sua única razão de ser.

A funcionalidade prolonga a vida de uma recordação

Um objeto decorativo pode recordar uma viagem.

Um produto funcional pode passar a fazer parte do quotidiano.

Esta distinção é cada vez mais importante.

Uma mala pode ser utilizada durante anos.

Uma carteira pode acompanhar o seu proprietário para todo o lado.

Um caderno pode integrar a rotina de trabalho de alguém.

Um acessório pode tornar-se parte do guarda-roupa do dia a dia.

Quando uma recordação se transforma em algo útil, a relação com o cliente muda.

Deixa de ser apenas um objeto associado a umas férias passadas.

Passa a fazer parte do presente do cliente.

Para os retalhistas, esta mudança representa também uma oportunidade para ir além da categoria tradicional das recordações de viagem e oferecer produtos que atraiam tanto turistas como clientes locais.

Os materiais autênticos criam uma ligação mais forte

Um produto não precisa de estar coberto de símbolos portugueses para transmitir a sua identidade nacional.

Por vezes, é o próprio material que conta a história.

Portugal tem uma longa tradição de trabalho com materiais naturais e de grande relevância local. A cortiça é um dos exemplos mais evidentes.

O sobreiro está profundamente ligado à paisagem portuguesa, enquanto a extração da cortiça representa uma relação duradoura entre as pessoas, a natureza e o saber-fazer artesanal.

Quando a cortiça é transformada num produto contemporâneo, a sua identidade portuguesa não desaparece.

Simplesmente assume uma nova forma.

Em vez de reproduzirem um objeto tradicional, os designers podem utilizar o próprio material como elo de ligação a um lugar.

Esta abordagem permite que a identidade portuguesa se manifeste de forma mais subtil, contemporânea e versátil.

A nova recordação é uma experiência

Viajar é cada vez mais uma questão de experiências.

As pessoas visitam lugares para descobrir a gastronomia, a arquitetura, as paisagens, as tradições, o design e a cultura local.

Os produtos que levam para casa podem prolongar essa experiência.

Um produto português bem concebido pode recordar não só o destino da viagem, mas também aquilo que a pessoa descobriu nesse lugar.

O material que tocou.

A história que ouviu.

O lugar que visitou.

A pessoa que lhe explicou o produto.

O momento em que decidiu levá-lo para casa.

É por isso que a história por detrás de um produto é importante.

O produto transforma-se numa recordação física de uma experiência, em vez de ser apenas uma representação de um destino.

Porque é que isto importa para os retalhistas

Esta evolução também altera as oportunidades para os retalhistas.

Lojas turísticas, lojas de museus, concept stores, lojas em aeroportos e boutiques independentes podem selecionar produtos que se situam entre a recordação de viagem, o presente e o objeto de design.

Isto permite alcançar um público mais abrangente.

Um turista pode comprar um produto porque lhe recorda Portugal.

Um cliente atento ao design pode escolhê-lo por apreciar a sua estética.

Outro cliente pode simplesmente gostar do produto e só depois descobrir a sua história portuguesa.

Os produtos mais versáteis conseguem conquistar os três tipos de clientes.

Para os retalhistas, isto pode tornar a oferta mais diversificada e menos dependente da compra tradicional de recordações de viagem.

Os produtos portugueses podem ser contemporâneos sem perder a sua identidade

Por vezes, existe uma falsa escolha entre tradição e modernidade.

Um produto pode inspirar-se no património português sem ter um aspeto tradicional.

Pode utilizar um material com séculos de história e apresentar, ainda assim, um design contemporâneo.

Pode contar uma história local e, ao mesmo tempo, atrair clientes internacionais.

Na verdade, este equilíbrio pode ser uma das maiores forças do design português.

O objetivo não tem necessariamente de ser preservar a tradição exatamente como sempre existiu.

Pode também passar por reinterpretá-la para uma nova geração.

De Portugal para o mundo

A evolução das recordações de viagem portuguesas reflete uma oportunidade mais ampla.

Os produtos ligados a Portugal não têm de permanecer limitados à categoria tradicional das recordações turísticas.

Podem afirmar-se nos segmentos da moda, do lifestyle, dos presentes e do retalho de design, mantendo a sua ligação ao país.

Isto é particularmente relevante para os retalhistas internacionais que procuram produtos com uma identidade bem definida.

Um produto com uma forte ligação a um lugar pode acrescentar personalidade a uma seleção de produtos cuidadosamente concebida.

E quando essa ligação se combina com um bom design e uma funcionalidade pensada para o dia a dia, o produto torna-se muito mais do que uma simples recordação de viagem.

Artelusa: cortiça portuguesa reinterpretada

Na Artelusa, esta ideia está no centro daquilo que fazemos.

A cortiça é um dos materiais naturais mais emblemáticos de Portugal. A sua história começa nos montados de sobro e continua através de gerações de conhecimento e saber-fazer artesanal.

A nossa abordagem consiste em integrar este material em produtos contemporâneos, concebidos para o quotidiano moderno.

O resultado não é apenas uma recordação feita de cortiça.

É um produto que pode ser utilizado, usado e apreciado muito depois do regresso a casa.

Porque a melhor lembrança de um lugar não é necessariamente algo que fica numa prateleira.

Por vezes, é algo que passa a fazer parte da nossa vida.

As recordações de viagem estão a mudar. E o design português está a mudar com elas.